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sábado, 13 de dezembro de 2008

O jardim das preguiças - Miniconto.

O garoto era preguiçoso. Sua mãe justificava dizendo que era porque a parte de baixo da orelha dele era 'descolada' da pele do rosto. Então por isso, era preguiçoso.
Além de preguiçoso, curioso, porque queria saber onde cortavam as orelhas das pessoas pra nascerem preguiçosas. Perguntou à professora, então pediu ao pai para ir no zoológico. Mas lá, não tinha a preguiça que queria. Perguntou à coleguinha e ela o levou na casa de uma senhorinha. Mas lá, não tinha a preguiça que queria, tinha a Dona Pri Guissa.
No enfim, procurou, procurou e não encontrou. Até que um dia resolveu abrir um livro e tamanha foi a sua surpresa que as flores preguiçosas do jardim das preguiças falaram com ele durante o dia todo. Elas explicaram que essas estórias de orelhas descoladas são apenas invenções.
Daí então, o garoto continuou preguiçosinho como antes, mas muito determinado e sempre fazia o que lhe dava na sina.

domingo, 16 de novembro de 2008

Ensaio para "Lá"

(Vem de longe com sua bicicleta. Usa trajes de uma cultura diferente. Andando em círculos com a bicicleta vai falando)
Venho andando com minha bicicleta de bronze por milhas e milhas de terras; passei por todas as veredas, vias e estradas. Já topei com anjos e diabos nas entradas, apesar do movimento, minha vida continua parada. (Pára de andar)
Por mais que estas paisagens mudem, por mais que o vento tome outro sentido eu sempre me sinto no mesmo lugar. O sol queima do mesmo jeito, a areia irrita da mesma forma e o meu objetivo ainda não se torna feito. Ah!, chuva cai em meu rosto pra aliviar minha tensão; caminhos e caminhos pra sair dessa prisão!
(Enfurecendo-se)
O mundo!
O mundo é essa jaula nefasta que me persegue e faz de meu corpo tuas futuras cinzas! Para quê? De tantos tempos sobrevividos nesta terra de ambição, para quais fins tudo isso ainda existe?
Acaba com tudo, Deus!
Faça tua promessa do apocalipse e arraza com fendas e explosões todas as dimensões desse circo chamado Terra! Faça chover dinheiro para que todos os homens se matem em torno desta ambição! Caia o céu, abra-se a terra; engula tudo e não sobrará nada!
Deixe o mundo limpo e virgem como naturezas isoladas. (Chora)

E eu já não agüento mais. Somo forças para livrar-me de maus sentimentos, mas esses crápulas, nojentos e filhos-da-puta não páram de me perseguir.
(Gritando para vários lados) Fuja! Fuja! Fuja!
Pra onde? Pra onde, meu Deus? Dê-me uma luz! Leva-me ao inferno, mas me tira daqui!

(Cai de joelhos no chão, chorando)

Onde está tudo isto? Por onde andam as aves gorjeadoras? Pasárgada! Oz! País das Maravilhas! Qualquer lugar... (Ofegante) que me dê paz.

Mas, eu ainda chego lá! Lá: nas quinquilharias de meu vazio.

(Otimista pega a bicicleta e some.)